Quinta-feira, 02 de julho de 2026
Casa-território ≡ Território-casa
O ato de habitar é tema de exposição coletiva no Centro MariAntonia, em São Paulo
O Centro Universitário MariAntonia, da USP, inaugura no dia 2 de julho de 2026, às 18h, a exposição coletiva Casa-território /// Território-casa, em torno do lar e das (im)possibilidades de habitá-lo. Dez artistas, de 7 nacionalidades, apresentam obras em pintura, vídeo, fotografia, instalação e colagem, refletindo sobre identidade e memória de forma crítica e imaginativa.
Com curadoria-geral de João Felipe R. Ferreira, a exposição é fruto de um processo curatorial colaborativo, envolvendo alunos de graduação e pós-graduação da Unicamp e pesquisadores externos, no âmbito do projeto Rede ArteRefúgio. Criada para o desenvolvimento e a difusão de expressões artísticas no contexto dos deslocamentos humanos, a rede reúne artistas residentes no Brasil que abordam o tema das migrações ou foram impactados por experiências de deslocamento, incluindo criadores de Venezuela, Colômbia, El Salvador, Rússia, Angola e Cuba.
"Tomando a noção de lar como elemento disparador, a exposição propõe um recorte sobre a produção desse grupo heterogêneo de artistas a partir de reflexões que suas obras suscitam sobre as dimensões pessoais e coletivas do ato de habitar", afirma Ferreira.
Segundo o curador, as obras abordam o pertencimento a partir de impedimentos e violências sobre o lar, refletindo o colonialismo, as políticas restritivas de fronteira e as questões raciais e ambientais que afetam as cidades. No entanto, Ferreira ressalta que as obras não apenas se debruçam sobre esses problemas, mas também propõem de forma poética novas imaginações de futuro e mesmo do passado.
Rede ArteRefúgio
Desde 2024, o projeto reúne artistas com histórias de migração ou cuja obra reflita sobre o tema dos deslocamentos, pensados como experiência concreta e como conceito. De diferentes nacionalidades e estágios de carreira, esses artistas contaram com acompanhamento artístico e curatorial, que agora culmina na exposição no Centro MariAntonia. A curadoria-geral é de João Felipe R. Ferreira, mestre em Arte e Direitos Humanos pela Bard College (2026), mestrando em Multimeios pela Unicamp e bacharel em Midialogia pela mesma universidade (2024). A Rede ArteRefúgio foi criada pelo grupo de pesquisa CineRe - Trajetórias sem Fronteiras e pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello Unicamp/ACNUR, presidida por Ana Carolina de Moura Delfim Maciel, professora do Instituto de Artes da Unicamp.
Casa-território ≡ Território-casa
Centro Universitário MariAntonia da USP - Edifício Joaquim Nabuco
Rua Maria Antônia, 258. Vila Buarque, São Paulo, SP.
Abertura: 2 de julho de 2026, às 18h
Período de exposição: de 3 de julho a 20 de setembro
Visitação: De terça a domingo, das 10h às 18h. Entrada gratuita.
Site da exposição: https://kfgq5w.s.gy/casaterritorio
Contato de imprensa
João Felipe R. Ferreira: (19) 98352-8844 (Whatsapp)
Artistas participantes
Allan Rosário é paulista e vive em Uberlândia (MG). Em perspectiva autobiográfica, atravessada por questões de gênero, classe, raça, religiosidade e sexualidade, o artista repensa a relação entre diáspora, afeto e ruína por meio de diversos suportes, como gravura e fotografia.
Camila Kahhykwyú Canela, indígena da etnia Apanjêkra Canela, nasceu no Rio e reside em São Paulo. Cientista social, ativista e especialista em arte e educação contemporânea, é multiartista com produções em muralismo, performance, videoarte e pintura.
Diana Akokán é colombiana e vive no Brasil desde 2006. Em sua graduação na UFRJ, pesquisou sobre a experiência do migrante latino-americano e a crise humanitária da fronteira entre México e EUA, resultando na série de máscaras mortuárias "Fayum na Fronteira". Seu trabalho expõe as dores do processo migratório.
Espejismo, nome artístico de Shirley Espejo, é paulistana e indígena aymara. Filha de imigrantes bolivianos, ela ressignifica espaços historicamente impostos sobre sujeitos indígenas e outras pessoas racializadas, sobretudo pelo trabalho manual e pela colagem. Foi indicada ao prêmio PIPA 2025.
Herbert De Paz é salvadorenho, residente no Brasil desde 2013. Em pintura e colagem, o artista propõe reflexões sobre a influência colonial na construção do imaginário salvadorenho. Suas obras integram acervos como o Instituto de Arte Contemporânea de Miami, o Instituto Inhotim e o Museu de Arte do Rio (MAR).
Matheus Pires é goiano e vive entre Goiânia e a Cidade de Goiás. Sua prática artística investiga em diferentes suportes a relação imagética entre deslocamento, paisagem e política fazendo o uso do caminhar como método de investigação.
Oksana Rudko é russa, residente em São Paulo. Seu trabalho investiga o deslocamento por meio de imagens e sons captados em diferentes espaços e em colaboração com comunidades e indivíduos diversos. A artista já participou de mostras nacionais e internacionais, como a Wrong Biennale, em Tóquio (2024).
Oriana Pérez é artista venezuelana e vive em São Paulo. Sua obra reflete um passado ausente, em narrativas de desaparecimento na diáspora venezuelana, mas também como corpos em deslocamento criam novos sentidos de pertencimento.
Tata Bernardo é angolano e mora em São Paulo desde 2023. Seus trabalhos abordam a complexidade da identidade humana, o afeto e a multiplicidade cultural. Para ele, o contato de pessoas em deslocamento com a população nativa de um lugar pode desencadear novas formas de se relacionar em sociedade.
Zé Angel é cubano, residente desde 2022 no Rio de Janeiro, onde é cofundador da escola de artes RADAR. Formado em diferentes institutos de Cuba, o artista, cineasta e arte-educador cria pinturas a óleo a partir da experiência migratória cubana e trata das dimensões de esquecimento e esperança nas trajetórias migrantes.
Quinta-feira, 02 de julho de 2026, de 2 de julho a 20 de setembro
Centro Universitário MariAntonia da USP - Edifício Joaquim Nabuco
Rua Maria Antônia, 258. Vila Buarque, São Paulo, SP