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quarta-feira, 13/06/2018   Por Marcos Rogério Pereira

Concertos da Orquestra Sinfônica da Unicamp reúnem obras de Sant’Anna Gomes e Beethoven

A Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-Campinas) apresentam o “Projeto Identidade, Música e Arquitetura: o grande Septeto de Beethoven na terra de Sant’Anna Gomes”. Os concertos terão obras de Sant’Anna Gomes e Beethoven. Serão duas apresentações em Campinas: no dia 13 de junho às 19h30 na Capela da Santa Casa e no dia 14 de junho às 20h na Adunicamp. A entrada é gratuita.

Programa

Sant’Anna Gomes – Quatro quintetos de cordas

Nenê
Saudade
Minueto
Dudu Gallop

L. V. Beethoven – Septeto em Mib maior Op. 20

Adagio – Allegro con brio
Adagio cantabile
Tempo di menuetto – Trio
Tema con variazioni. Andante
Scherzo. Allegro molto e vivace
Andante con molto alla marcia – Presto

Intérpretes

Eduardo Freitas, clarinete
Bruno Demarque, trompa
Francisco Amstalden, fagote
Ivenise Nitchepurenco, violino
Eduardo Semencio, violino
José Eduardo D’Almeida, viola
Daniel Lessa, violoncelo
Walter Valentini, contrabaixo

NOTA DE PROGRAMA

SANT’ANNA GOMES (Campinas, 1834-1908)
{Divertimento}

José Pedro de Sant’Anna Gomes (Campinas, SP, 1834-1908) é um dos muitos compositores brasileiros que ainda não obtiveram o devido reconhecimento, já que suas obras ainda não foram disponibilizadas a um público mais amplo. O início de sua atividade musical se confunde com a de seu irmão mais novo, [Antonio] Carlos Gomes (1836-1896), com o qual compartilhou o aprendizado e as primeiras experiências musicais. Separaram-se na juventude, Carlos Gomes fixou residência em Milão e Sant’Anna permaneceu em Campinas, mas o relacionamento fraternal perdurou até a morte do primeiro em 1896. Seus manuscritos musicais encontram-se no Museu Carlos Gomes em Campinas e sua obra de câmara já foi objeto de transcrições musicológicas e apresentada em alguns concertos.
Sant’Anna desenvolveu intensa atividade artística como compositor, regente, instrumentista, professor e empresário. Exerceu a regência da Orquestra do Teatro São Carlos em Campinas, onde se apresentavam diversas companhias de ópera, em especial as italianas, que se apresentavam com a orquestra do teatro. Já em seus últimos anos de vida participou da composição da Pastoral, com texto de Coelho Neto (1864-1934), então professor da escola Culto à Ciência em Campinas. A peça estreou no natal de 1903 e contou com a coautoria de compositores expressivos do período: além de Sant’Anna (Prelúdio), Francisco Braga (Visitação), Henrique Oswald (Anunciação) e Alberto Nepomuceno (Natal). Sant’Anna deixou uma obra extensa de excelente feitura, parte dela ligada ao contexto em que vivia. Entre valsas, canções, música de câmara e gêneros diversos, destaca-se sua predileção pelos quintetos de cordas. Para esta formação escreveu diversas peças que representam a produção musical de Campinas na segunda metade do século XIX, então um dos maiores centros produtores de café do Brasil. As peças apresentadas neste concerto são uma amostra deste universo, no qual a prática musical se dividia entre teatros, salões e ambiente e doméstico, e os músicos amadores tinham o nível de profissionais.

LUDWIG VON BEETHOVEN
Septeto em Mi bemol maior, op. 20, para cordas e sopros Composta entre 1799 e 1800, esta composição para clarineta, fagote, trompa, violino, viola, violoncelo e contrabaixo, talvez tenha sido uma das últimas que Beethoven compôs antes de se conscientizar de que sua surdez não era passageira e só viria a se agravar. Tratava-se, portanto, de um período menos atormentado e isso se reflete nesta composição, plena de juventude e energia.
A estreia ocorreu em um concerto no qual Beethoven apresentava ao público sua Sinfonia nº 1, ainda moldada nos moldes clássicos de Haydn e Mozart. O sucesso do Septeto foi imediato, mas Beethoven ficou magoado porque eclipsou outras composições que julgava tão ou mais importantes.
É composto por seis movimentos, sendo o primeiro, Adagio-Allegro com brio, com um início lento que funciona como introdução à animação que se segue. O segundo movimento, Adagio cantabile, é lírico e tranquilo, com destaque para violino e clarinete. No terceiro movimento temos Tempo di menuetto, escrito com um tema emprestado da Sonata para Piano, op. 49, nº 2. Segue-se Tema com variações – Andante, baseado na canção folclórica renana Ach Schiffer, lieber Schiffer. Na sequência Scherzo – Allegro molto e vivace que tem em sua parte central, o Trio, um momento contrastante. A peça se conclui com um exuberante Andante molto alla marcia – Presto, de abertura solene, logo deixada para trás por uma alegre movimentação, por vezes interrompida por momentos mais calmos. O movimento simula o som de fanfarras, tem muitos solos e uma cadenza para violino.

Lenita W. M. Nogueira
05/2018

Saiba mais sobre as apresentações na página da Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU).

Fonte: CIDDIC



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