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sexta-feira, 24/08/2018   Por Patrícia Lauretti

Unicamp estreia montagem da obra La Traviata no Theatro Municipal de Paulínia em setembro

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Uma ópera se constrói na sala Almeida Prado, no Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural da Unicamp (CIDDIC), da Unicamp. De instrumentos, vozes e batuta vai tomando corpo a história da cortesã Violetta Valèry, protagonista da obra La Traviata, do compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901). Aqui ela calça botas, coque no cabelo, é muito jovem, mas experiente nas montagens que a Unicamp vem realizando anualmente desde 2014. A soprano Raíssa Amaral, 26 anos, doutoranda da Universidade já começa sua performance com o mais alto agudo.

O ensaio é o primeiro da Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) com os solistas. Em duas semanas La Traviata deve estrear no Theatro Municipal de Paulínia. Com direção de Angelo José Fernandes, coordenador-geral do projeto; Felipe Venâncio, diretor de cena e cenógrafo; e Cinthia Alireti, diretora musical e regente, a ópera mobiliza mais de cem artistas da OSU, Coral Unicamp Zíper na Boca, Coro Contemporâneo de Campinas e Ópera Estúdio Unicamp.

La Traviata estará em cena, completa, assim como foi com A Flauta Mágica (2017), O Elixir do Amor (2016), Don Giovanni (2015) e As Bodas de Fígaro (2014). “Nós fazemos uma ópera por ano agora. Mesmo neste 2018, com essa crise. É o maior orgulho conseguirmos encenar a ópera porque a princípio seria só uma versão do concerto parcialmente encenada”, afirmou a regente Cinthia. “Acho que dentro do meio acadêmico das universidades é raro no Brasil quem consiga montar óperas e, para nós estudantes daqui, é um ganho”, diz Raíssa.

La Traviata foi escolhida por ser uma das óperas mais populares (e bonitas, muitos diriam) do repertório erudito. Além do mais pode ser feita com uma orquestra de porte não muito grande, como é a da Unicamp, com 45 integrantes, e solistas, que a universidade também dispõe, formados pelo Ópera Estúdio. O teatro da cidade vizinha de Paulínia foi escolhido porque é o único da região que tem um fosso para a orquestra, necessário para este tipo de espetáculo.
Por enquanto, com orquestra e solistas, a regente repassa trechos que precisam ser aprimorados. A montagem de uma ópera é um quebra-cabeças cujas peças vão se juntando aos poucos. Os solistas já vêm ensaiando separadamente desde o semestre passado, depois foi a vez da orquestra, dos coros e, a partir de segunda-feira, 27, os ensaios serão no palco, com todos os participantes. O elenco vai continuar a maratona de canto até a estreia. “As árias de Violetta são as mais difíceis. Uma delas são 11 minutos cantando, com notas que vão lá pra cima e lá pra baixo”, conta Raíssa.

O desafio é também encenar. Tradicionalmente os cantores de óperas quase não se movimentam em cena. É algo que não irá acontecer na récita da Unicamp. “A montagem exige muito vocal e cenicamente porque além de cantar, preciso andar, subir num sofá, enfim, a gente tem que se adequar e se virar para conseguir fazer” comenta a soprano. O cansaço dos artistas é tão grande que, para os três principais papeis há dois elencos que podem se revezar.

Rafael Stein, 25 anos, é o tenor convidado para interpretar Alfredo Germont, por quem Violetta se apaixona. Integrante da Cia Minaz, uma companhia de ópera da cidade de Ribeirão Preto, Rafael também ressalta que a ópera exige muito nos aspectos vocal e cênico.
Originalmente La Traviata seria encenada em trajes modernos, “mas o Verdi mudou de ideia porque os integrantes do coro que eram pessoas comuns, teriam que se vestir como burgueses e não teriam esse refinamento. Ele mudou a ópera para acontecer em 1700” explica a regente. E foi assim que ela estreou em 1853 em Veneza, na Itália. “Hoje a gente consegue fazer isso completamente, vamos fazer completamente moderno”, acrescenta.

Moderno não. Quem sabe futurista? “Eu digo para eles, elenco, que é 2056, ou seja, 200 anos depois da estreia na Itália”, brinca o diretor cênico Felipe Venâncio “Estamos trazendo na cenografia uma versão mais moderna, mexendo com luzes LED e brilho”. Sobre a encenação Venâncio, também ex-aluno da Unicamp, quer trazer mais um pouco do teatro em si e “fazer com que o público se identifique não só pela música, mas pela interpretação também”.

Nas outras montagens da Unicamp a casa estava cheia todas as noites do espetáculo e assim será com La Traviata também, todos esperam. Pela primeira vez será cobrado ingresso, com valor simbólico e arrecadação de alimentos. Os artistas vão reafirmar a viabilidade da ópera no mundo contemporâneo e regional.

“Não houve época melhor para nós músicos da Sinfônica da Unicamp”, comenta o trombonista João José Leite no intervalo do ensaio. Com quase trinta anos de orquestra, ele está podendo participar da formação de cantores líricos. “Excepcional essa nova geração da Unicamp abrindo horizontes. É muito bacana trabalhar com grandes artistas que o Instituto de Artes está produzindo”.

Assista trecho do ensaio:




Serviço

“La Traviata” ópera em três atos, de G. Verdi

QUANDO

6, 7, 8 de setembro de 2018, às 20 horas (quinta a sábado)

e 9 de setembro de 2018, às 18 horas (domingo)

ONDE

Theatro Municipal de Paulínia

Av. Pref. José Lozano Araújo, 1551 – Parque Brasil 500, Paulínia. Telefone 19-3933-2140

INGRESSOS*

Inteira: R$ 20

Meia-entrada: R$ 10

Convidamos o público à doação de 1 quilo de alimento não perecível, destinado a entidades assistenciais de Paulínia.

Classificação indicativa: 12 anos

Fonte: Portal da Unicamp



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