Quinta-feira, 11 de junho de 2020 - Por Bianca Bosso (Labjor/Nudecri)
Conheça Dinorá de Carvalho, uma das mais conceituadas compositoras brasileiras do século XX
No ano em que sua morte completa 40 anos, pesquisadores do CIDDIC realizam uma revisão detalhada de obra ‘Salmo XXII – O Bom Pastor’ composta por Dinorá.
Pianista, compositora, maestrina e recitalista, Dinorá de Carvalho deixou um legado que ecoa até hoje na música brasileira. A primeira mulher a reger uma orquestra na América Latina, fundadora da Orquestra Feminina de São Paulo e pioneira como membro da Academia Brasileira de Música (1945), dedicou-se em vida à realização de concertos de piano e recitais, à composição de músicas, ao ensino de música e ao regimento de orquestras. As obras que compôs, repletas de uma singularidade que chama a atenção de pesquisadores e musicistas, revelam algumas das faces de uma mulher a frente de seu tempo.

A compositora foi objeto de estudo do pesquisador Flávio Carvalho desde sua pesquisa de mestrado: “Seu nome me foi apresentado pelo saudoso professor do Curso de Música da UNICAMP, Almeida Prado. Sua obra vocal, em grande parte inédita na época, me chamou a atenção por sua construção arrojada e sua poética, além do fato de ser, Dinorá, uma mulher muito além de seu tempo, original e dinâmica”. Atualmente no papel de pesquisador colaborador no Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural (CIDDIC), do sistema COCEN, Flávio Carvalho desenvolve um projeto que visa divulgar e publicar as obras de Dinorá de Carvalho. O projeto está sendo desenvolvido junto à Coordenação de Documentação de Música Contemporânea (CDMC), iniciando pelas obras vocais que estão presentes no acervo deste Centro de Pesquisa. Um dos vieses da pesquisa se sustenta na organização e publicação do livro “Salmo XXII – O Bom Pastor”, baseado na obra de mesmo nome da compositora. O livro foi lançado em 2019 e trata de uma revisão minuciosa sobre o conteúdo musical do material em questão, incluindo interpretação e identificação de possíveis erros. A composição, que estreou em 1971 sob regência de Ronaldo Bologna e interpretação de um conjunto instrumental muito particular que inclui harpa, trompa, clarinete, violoncelo, piano e percussão, recebeu neste mesmo ano a medalha de “Melhor obra de Câmara de 1971” pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Para Flávio, as dificuldades inerentes à busca e leitura de partituras manuscritas, abrangendo muitas vezes a dificuldade de acesso ou as mazelas inevitáveis da ação do tempo - que apaga ou danifica o conteúdo escrito à mão - compõem o verdadeiro ‘garimpo musical’ e se revelam como os principais obstáculos para a execução de pesquisas desse tipo. Ainda que o acesso a esta obra especificamente tenha sido facilitado, uma vez que a mesma está contida na Coleção Dinorá de Carvalho, sob a guarda do CDMC, foi necessário um trabalho intenso de dois anos para que a revisão estivesse pronta: “Os manuscritos trazem em si dificuldades próprias na leitura de um material muitas vezes escrito a lápis, que com os anos vai se apagando; os diversos documentos referentes à obra criam alguns impasses de escolhas ou ações editoriais, etc”, revela Flávio. O resultado do trabalho feito pela equipe do CIDDIC é um livro completo, que disponibiliza aos musicistas partituras individuais para cada instrumento. Tadeu Taffarello, pesquisador do Centro, salienta que, como uma forma de reduzir o custo da edição, geralmente, as obras disponibilizam apenas uma estrutura chamada 'grade do regente', que contém o direcionamento geral da composição através da exposição das orientações para a performance de todos os instrumentos juntos. As partituras individuais costumam ser alugadas. "A diferença da edição da Editora da Unicamp é a disponibilização das partes cavadas [partituras individuais para cada instrumento] junto à grade do regente [contendo todos os instrumentos juntos], para que a peça possa ser tocada sem que precise gastar mais dinheiro com isso, relata Taffarello.

Curiosamente, a pesquisa ainda não encontrou informações sobre outras apresentações da obra além de sua estreia em 1971. Flávio pretende organizar concertos baseados na obra. “Pretendo conseguir parcerias que nos permitam realizar um concerto da obra, quem sabe, ainda este ano”, diz. Captar a atmosfera inovadora da composição musical de Dinorá será um desafio e tanto para os intérpretes, que se alentarão pelo caráter pessoal e distinto tão característico desta compositora brasileira que ainda é tão pouco divulgada nos meios musicais. Adquira o livro aqui: Salmo XXII – O bom pastor – Para barítono e conjunto de câmara. Saiba mais sobre os trabalhos realizados no CIDDIC: Minuto Cocen – CIDDIC – Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural. Voltar
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