Sexta-feira, 02 de outubro de 2020 - Por Bianca Bosso (Labjor/Nudecri)
Parceria público-privada permite o desenvolvimento de reagentes para novo teste de covid-19
Junto ao Laboratório Mendelics e à EMBRAPII, o Centro de Química Medicinal da Unicamp participa do aperfeiçoamento de um teste rápido, seguro e com eficiência equiparável ao padrão ouro do mercado.
O Centro de Química Medicinal (CQMED) da Unicamp – unidade de pesquisa gerida pela Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN) e credenciado como Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), o laboratório de genômica Mendelics e a Embrapii estabeleceram uma parceria para o aperfeiçoamento do teste de saliva para covid-19. O objetivo é fortalecer a autonomia nacional para a realização desse exame através da produção de duas enzimas que hoje só podem ser obtidas através de importação. O CQMED já encaminhou parte dos reagentes para uma fase de testes que será executada pela Mendelics. “A empresa Mendelics, em parceria com o hospital Sírio Libanês, se deu conta de que a realização do teste RT-PCR – até então o mais preciso para diagnóstico de infecção ativa – estava sendo complexa em termos de realização e obtenção de reagentes”, explica Katlin Massirer, pesquisadora do CBMEG e coordenadora do projeto na Unicamp. “Quase sempre a maior dificuldade para a realização de pesquisas é a dependência de reagentes importados. Insumos do exterior sempre são limitantes”. Com isso em mente, a Mendelics, por meio da EMBRAPII, firmou a parceria com o Centro de Química Medicinal (CQMED) a fim de desenvolver nacionalmente duas enzimas essenciais para o teste de saliva. “A ideia é que nosso Centro consiga substituir e melhorar reagentes para que não seja mais necessário comprar do exterior. É um projeto de desenvolvimento de reagentes de um teste que já existe para ter autonomia de produção aqui no Brasil”, acrescenta Massirer. O teste utiliza a técnica de amplificação isotérmica mediada por loop com transcriptase reversa (RT-LAMP), já usada para diagnósticos de dengue, hepatite A, chikungunya e zika, para identificar o RNA do vírus em amostras de saliva. Katlin explica que “A própria pessoa pode coletar sua saliva no tubo apropriado e enviar para a central da Mendelics, em São Paulo, onde é feita a mistura dos reagentes. A saliva permanece estável por aproximadamente dois dias”. As etapas do teste não exigem equipamentos sofisticados: se o vírus estiver presente na amostra, uma proteína converte seu material genético – o RNA – em DNA; em seguida, outra proteína entra em ação e cria cópias das fitas de DNA geradas, fazendo com que seja mais fácil detectar o SARS-CoV-2; por fim, um agente colorante que pode ser visto a olho nu indica a presença ou ausência do material genético de origem viral na amostra. Assim como o RT-PCR, o teste de saliva não detecta os anticorpos em pessoas já recuperadas, mas sim o próprio vírus na fase ativa da infecção. Por dispensar equipamentos complexos e permitir a auto-coleta não invasiva de amostras, o RT-LAMP também se destaca no custo-benefício, sendo até cinco vezes mais barato que o RT-PCR. Katlin acrescenta que o custo pode ser ainda menor de acordo com os resultados da parceria. Apesar de sua relativa simplicidade, o teste de saliva não perde em eficiência e apresenta confiabilidade equiparável ao padrão ouro do mercado, sendo uma alternativa mais rápida e menos custosa ao RT-PCR. Todos esses benefícios trazem à tona a possibilidade de realizar testes em massa: “a ideia seria não esperar o surgimento de sintomas, mas que hospitais e empresas, por exemplo, pudessem testar seu pessoal a cada semana. O teste em massa é importante para monitoramento e prevenção, já que torna possível bloquear rapidamente a disseminação no caso de resultados positivos” – explica a pesquisadora do CQMED. Além disso, a praticidade do teste de saliva permite que o mesmo seja enviado para municípios mais distantes ou com pouca infra-estrutura: “muitas cidades pequenas ainda não têm como montar testes mais complexos. Seria possível enviar os kits com tubos de coleta para o Brasil inteiro e a amostra retornaria para ser testada na Mendelics”, explica a pesquisadora. Massier destaca que o avanço do projeto em um mês indica que logo os testes poderão ser amplificados: espera-se que ao final do próximo mês, já tenhamos produzido enzimas suficientes para a realização de mil testes. A partir daí, a produção crescerá ainda mais”. Katlin explica que a Unicamp valoriza parcerias público-privadas e que a iniciativa tem um papel importante na sociedade: “como pesquisadores na Universidade Pública, é importante fazer com que nosso trabalho tenha mais alcance e que possamos produzir as coisas que a sociedade precisa”. A coordenadora do projeto acrescenta ainda que progresso só foi possível em virtude da estrutura de equipamentos da Universidade: “Conseguimos fazer esse teste graças a toda a estrutura que a gente já tem na Unicamp. Nosso laboratório tem cinco anos, mas foi todo montado com financiamento de agências e empresas. Isso permite a resposta rápida”. A equipe pretende continuar trabalhando com a produção de reagentes para contribuir com a luta contra a covid-19: “Pensamos em expandir essa produção de enzimas. Caso algum grupo ou empresa se interesse em outros tipos de enzima ou proteína para testes diagnósticos, também podemos fazer”.

Fonte: Portal Campinas Inovadora

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