Quinta-feira, 04 de fevereiro de 2021 - Por Carlos Alfredo Joly e Cristiana Simão Seixas
Nomeação da IPBES para o Prêmio Nobel da Paz
Em 1992, quando a Convenção sobre Mudanças Climáticas e a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) foram assinadas no Rio de Janeiro, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC da sigla em inglês), criado em 1988, assumiu o papel de produzir sínteses do conhecimento científico para as tomadas de decisão sobre as mudanças climáticas. Na CDB este papel foi atribuído ao Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico (SBSTTA da sigla em inglês), dentro da própria convenção. Dez anos depois, na RIO+10 em Joanesburgo, África do Sul, os países chegaram à conclusão de que era imprescindível criar para a Biodiversidade um órgão semelhante ao IPCC. Começava ali um longo caminho que passou por diferentes propostas, até chegar finalmente na estruturação da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES da sigla em inglês) em um processo coordenado pelo PNUMA (atual ONU Meio Ambiente). Este processo foi concluído em 21 de abril de 2012, no Panamá, com a criação da IPBES. Vinculada à ONU, a IPBES segue as duas regras de ouro da organização: cada país, um voto; decisões são tomadas por consenso. Desde sua criação, a IPBES adotou como objetivo maior o bem-estar humano, ou seja, entender como a conservação, restauração e o uso sustentável da biodiversidade e serviços ecossistêmicos podem contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Sua missão é fortalecer as bases do conhecimento para melhorar políticas e tomada de decisão através da ciência visando o desenvolvimento sustentável a longo prazo. Para tanto, as equipes de especialistas envolvidos nos diagnósticos da IPBES exigem, por princípio, a participação de profissionais das ciências naturais, das ciências sociais e economia. Outra característica que distingue a atuação da IPBES em relação ao IPCC é o fato desta valorizar e incorporar o conhecimento tradicional e indígena em seus diagnósticos, razão pela qual as equipes precisavam também incorporar estudiosos e detentores destes conhecimentos ancestrais das relações do ser humano com a natureza. Por seus esforços em sintetizar o conhecimento científico sobre as causas e consequências da perda de biodiversidade, a IPBES foi nomeada ao Prêmio Nobel da Paz em 2020. Mesmo não sendo contemplada com o prêmio, sua nomeação indica a importância de sua atuação na interface ciência e política, para promover o bem estar humano e a conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade e serviços ecossistêmicos. O Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Unicamp se orgulha de ter em seu quadro, pesquisadores, docentes do programa de Doutorado Interdisciplinar em Ambiente & Sociedade, e ex-alunos, que contribuíram e contribuem ativamente com a IPBES: Carlos Joly (docente), co-coordenou o 1º Painel Multidisciplinar de Especialista, além de atuar na Força Tarefa de Capacitação. Cristiana Seixas (pesquisadora) co-coordenou o 1º Diagnóstico Regional das Américas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, em que participaram também Jean Ometto (docente-colaborador) e Juliana Farinaci (ex-aluna). Eduardo Brondízio (docente-colaborador) co-coordenou o 1º Diagnóstico Global da IPBES. Debora Drucker (ex-aluna) é membro da Força Tarefa de Dados e Conhecimentos, e Camila Islas (ex-aluna) participa do Diagnóstico sobre Uso Sustentável de Espécies Selvagens (em elaboração), o qual conta ainda com Seixas e Brondizio como editores de revisão dos capítulos. Para ler a notícia completa clique aqui

Fonte: Jornal da Unicamp

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