Terça-feira, 18 de maio de 2021 - Por Divulgação Unicamp
"Não é nada fácil ser LGBT+ no Brasil hoje"
"Não é nada fácil ser LGBT+ no Brasil hoje"
Há 31 anos, em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Conhecida como CID, essa classificação é utilizada por médicos e profissionais da saúde para monitorar a incidência e prevalência de doenças. A medida significou uma conquista importante para a população LGBT+ de todo o mundo, pois a homossexualidade deixava de ser considerada uma doença ou distúrbio. A data passou a celebrar o Dia Internacional Contra a LGBTfobia e lembra a importância da luta constante não apenas pelo fim de preconceitos, mas também pela valorização da diversidade entre as pessoas e pela visibilidade de grupos e de suas demandas. Mesmo antes desse marco e até os dias de hoje, a população LGBT+ vive conquistas importantes ao custo de lutas por igualdade, justiça e acesso a direitos. No Brasil, as mais recentes foram o reconhecimento das uniões civis homoafetivas, o direito do uso do nome social por travestis e transexuais e a criminalização da LGBTfobia. Entretanto, pesquisas mostram que pessoas LGBT+ continuam vulneráveis a diversas formas de violência, além de enfrentarem outras dificuldades ao exercício de direitos, como o emprego, educação, cultura e saúde. Segundo a edição de 2020 do relatório sobre mortes violentas de LGBT+ no Brasil, elaborado pelo Grupo Gay da Bahia, a cada 26 horas uma pessoa LGBT+ é vítima de homicídio ou comete suicídio no Brasil. Ainda segundo a pesquisa, dentro da própria população LGBT+, pessoas trans têm 17 vezes mais chances de sofrer uma morte violenta do que um gay cisgênero. O Atlas da Violência no Brasil, produzido pelo Ipea, também mostra a dimensão dessa realidade: de acordo com a última edição do estudo, o número de denúncias de homicídio contra pessoas LGBT+ cresceu 127% entre 2011 e 2017, apenas com uma queda de 28% em 2018. Se a realidade já impõe desafios à população LGBT+, a pandemia da covid-19 aprofunda ainda mais essas desigualdades e injustiças. Um relatório da ONU, divulgado em novembro de 2020 e elaborado com base em dados de pessoas em mais de 100 países, aponta que a necessidade de isolamento social acarreta dificuldades sensíveis a pessoas LGBT+, tanto no sentido econômico, quanto no emocional. Segundo o estudo, uma parcela considerável dessa população não tem empregos formais, ou trabalham em setores muito prejudicados pela pandemia, como serviços e eventos. O relatório ainda avalia que o isolamento reduziu os contatos com redes de apoio, com quem pessoas LGBT+ podem manter relações sociais positivas. Isso faz com que pessoas LGBT+ precisem enfrentar a pandemia ao mesmo tempo em que continuam em sua luta por direitos e visibilidade. É o que avalia Regina Facchini, professora da Unicamp, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e organizadora do livro "Direitos em disputa: LGBTI+ - poder e diferença no Brasil Contemporâneo" (Editora Unicamp). De acordo com ela, o Brasil vive uma escalada de discursos e comportamentos de ódio que dão força a atitudes LGBTfóbicas que podem se reproduzir em diversos espaços, especialmente no meio familiar. "Se nesses ambientes de convívio as coisas se tornam ruins, por causa desse tipo de discurso, com a pandemia tudo isso piora. Não é nada fácil ser LGBT+ no Brasil hoje. Nós temos um processo de negação da humanidade e do caráter de sujeitos de direito dessa população", analisa Facchini. Para saber mais clique aqui

Fonte: Unicamp

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