Quarta-feira, 28 de maio de 2014 - Por Luiz Sugimoto
Crise no setor energético: como entramos e como sair
Especialistas em energia elétrica, bioenergia e petróleo e gás reuniram-se em torno do tema “Crise no setor energético: como entramos e como sair”
Crise no setor energético: como entramos e como sair
Professores Telma Franco e Horta Nogueira, do Nipe. Foto: Antoninho Perri
Especialistas em energia elétrica, bioenergia e petróleo e gás reuniram-se em torno do tema “Crise no setor energético: como entramos e como sair”, com a proposta de elaborar documentos nestas três áreas que ofereçam uma base técnica para os debates que ocorrem de forma dispersa nos segmentos interessados (governamentais, não governamentais e da cadeia produtiva) e que afloram basicamente através da mídia. O encontro organizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp preencheu toda a manhã desta quarta-feira, na Casa do Professor Visitante (CPV). “Desculpe o chavão, mas ‘nunca antes neste país’ tivemos uma situação tão nevrálgica no setor energético. Na área de energia elétrica, independente da grave situação causada pela falta de chuvas, houve uma série de medidas um tanto intempestivas que trouxeram insegurança e retração de investimentos, com incremento excessivo da geração termoelétrica. Vemos os custos subindo de forma preocupante e indústrias parando. Na área de petróleo estamos com a produção estagnada desde 2008 e, na de biocombustível, temos 40 usinas paralisadas. Tudo isso não decorre apenas do clima”, advertiu Luiz Augusto Horta Nogueira, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e pesquisador do Nipe. Telma Franco, docente da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp e coordenadora do Nipe, disse que a programação do evento incluiria três mesas-redondas (Setor Elétrico, Petróleo e Gás, Bioenergia), cada qual apresentando os pontos de vista de dois palestrantes, seguida de um debate. “A ideia é preparar documentos relacionados aos três setores, apresentando a nossa visão sobre a crise. Está faltando embasamento técnico a este debate, que se encontra muito disperso. Hoje mesmo, em Brasília, estão lançando uma medida em relação aos biocombustíveis”, observou a professora, referindo-se à medida provisória anunciada pela presidente Dilma Rousseff aumentando de 5% para 6% em julho (e para 7% em novembro) a mistura de biodiesel no óleo diesel. Na primeira mesa, sobre o setor elétrico, um dos palestrantes foi Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil – centro de estudos voltado a ações e projetos para aumentar o grau de transparência e sustentabilidade do setor. “Definitivamente, estamos em meio a uma crise muito grave, tanto do ponto de vista do abastecimento de energia, como do ponto de vista financeiro. A crise no abastecimento está caracterizada por um momento de níveis de reservatórios muito mais baixos do que seria desejável. Encerrou-se o período das cheias, que foi até o final de abril, quando teoricamente se esperava que os reservatórios, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste, tivessem subido bastante. Isso não aconteceu.” A questão que se coloca, segundo Claudio Sales, é saber, partindo dos atuais 38% de capacidade dos reservatórios, a que nível eles chegarão até o recomeço do período das cheias (de fins de novembro até janeiro); e qual o risco de o regime de chuvas não ser favorável o suficiente para o ano de 2015. “O governo, que é operador nacional do sistema, afirma estar preparado para intervir a qualquer momento com um programa artificial de redução de consumo (o racionamento). Eu me preocupo porque esta preparação não diz respeito apenas à eventualidade de um corte de energia: existe todo um arranjo institucional e o racionamento implica mudança nas relações entre compradores e vendedores de energia, distribuidores e geradores, etc, e todos seriam diretamente afetados – essa preparação também deveria estar sendo feita e dela ainda não ouvi se falar abertamente.” Do ponto de vista financeiro, o presidente do Acende Brasil prevê que, por inúmeros fatores, tanto empresas geradoras quanto distribuidoras sofrerão uma pressão sobre seus caixas próxima de R$ 30 bilhões. “No caso das distribuidoras, o governo criou uma possibilidade de financiamento, mas de apenas parte do que estariam precisando. Quanto às geradoras, a exposição a que estão incorrendo representará números também bilionários. Esta equação precisa ser resolvida, sob a pena de sermos empurrados para uma situação de inadimplência generalizada, uma cascata que seria extremamente ameaçadora para o setor elétrico brasileiro, que até pouco tempo atrás era totalmente autossustentado.”

Fonte: Portal da Unicamp

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